Marcando uma grande empolgação em seu conhecimento sobre como viver de filosofia.“Conhecer a si próprio é o maior saber”.

sábado, 21 de abril de 2018

E se não for bem assim! em equilibrium...

Equilibrium mostra um futuro situado após uma eventual Terceira Guerra Mundial. A sociedade vive sob um regime totalitário que, no entanto, aboliu a maior parte dos crimes e infrações do cidadão comum, restando de criminosos praticamente apenas os “rebeldes” que são contrários ao sistema.

Equilibrium mostra um futuro situado após uma eventual Terceira Guerra Mundial. A sociedade vive sob um regime totalitário que, no entanto, aboliu a maior parte dos crimes e infrações do cidadão comum, restando de criminosos praticamente apenas os “rebeldes” que são contrários ao sistema.




A saída encontrada pela sociedade para o fim dos “problemas” da raça humana – que eventualmente nos levam às guerras e conflitos – foi a erradicação da capacidade do ser humano de sentir emoções, o que deixou a civilização mais fria, analítica e racional no dia a dia.

A premissa não muito inovadora, a equivocada comparação com Matrix (que chegou a estampar o cartaz do longa com a frase “esqueça Matrix”) e o início do filme que culmina, logo nos primeiros minutos com uma cena de luta impossível, onde o protagonista vivido por Christian Bale enfrenta vários adversários em um espaço confinado sem ser atingido e com uma arma que parece ter munição infinita, dão a falsa impressão de que a obra é mais um clichê de ficção distópica com baixo orçamento e pouca verossimilhança e má qualidade.

Para os que continuaram a assistir o filme, tudo passa a fazer sentido depois – inclusive a munição “infinita” e as lutas “impossíveis” – e a qualidade do longa sobe a cada reviravolta sofrida pelo protagonista.

Essa sociedade considerou que a humanidade – ou o que sobrou dela – não aguentaria uma Quarta Guerra Mundial, e por isso a população “aprovou” a implementação de leis duras que tinham o objetivo de evitar novos conflitos e guerras.

Assim, um novo regime de governo centralizado e rígido foi criado, seu líder recebeu o nome de “Pai”, e foi aprovado um conjunto de leis que criaram um órgão chamado de Clero Tetra Grammaton, responsável pelo policiamento do que agora era considerado crime: sentir emoções.
Por lei, todo humano deveria tomar suas doses de Prozium regularmente e, assim, abster-se de sentir qualquer tipo de emoção.

A nova lei criminaliza também a manifestação artística, romântica, afetiva ou qualquer outra que se dê por meio das emoções, e até mesmo a posse a exibição de obras de arte de qualquer tipo – mesmo livros – é proibida.

Assim, Libria é o resultado de um controle rígido do Estado sobre seus cidadãos. Mas é uma paz que se faz muito também pela presença do Estado de forma militarizada e ostensiva, com policiais fortemente armados nas ruas e telões com o Pai proclamando suas mensagens de ordem para a população de forma quase onipresente.

O protagonista do filme, apesar de se inspirar visualmente no Neo de Matrix (outro motivo das comparações), é muito diferente daquele, pois é muito mais inseguro, falho e “humano”, ainda que no começo esteja anestesiado pelo Prozium e agindo conforme sua profissão preconiza, já que ele é um dos Sacerdotes do Grammaton.

Após deixar de tomar a droga por um dia, Preston sente o gosto do sentimento, que sequer lembrava existir. A sensação de reviver as emoções, somada à angústia da culpa por um acontecimento passado, se mostra inebriante e forte demais para ser relevada, e o Sacerdote resolve infringir a lei e deixar de tomar suas doses de Prozium.

Assim, dia a dia, Preston redescobre sua humanidade, sua admiração pelos detalhes da vida, dos momentos únicos que permeiam a existência, e começa a se dar conta de que lei e ordem podem não ser argumentos fortes o suficiente para amputar do homem sua capacidade de sentir emoções.

A cena em que Preston “acorda” para seus sentimentos, onde a metáfora de sua casca de dureza e racionalidade é retirada tal qual uma película de insulfilm é retirada de uma vidraça, é sublime.

A partir de então, Preston passa a tentar combater o sistema da qual faz parte, para ajudar a Resistência a derrubar o Pai e “libertar” Libria.


Apesar de parecer a muitos um disparate achar que a sociedade aceitaria se submeter a um controle como o demonstrado na obra, tal ideia – se passada por um crivo de analogia – se mostra bastante plausível.


Apesar de parecer a muitos um disparate achar que a sociedade aceitaria se submeter a um controle como o demonstrado na obra, tal ideia – se passada por um crivo de analogia – se mostra bastante plausível. 


Não por acaso o próprio filme mostra uma imagem de Hitler para que percebamos que, assim como os alemães “pediram” pelo estado totalitário e rígido que Adolf prometia em suas campanhas, quando ainda era um político promissor no partido nacionalista germânico, outros povos podem perfeitamente acatar limitações e restrições às suas liberdades em nome de um “bem maior”.

Os filósofos Márcio Araújo e Mayke Cardoso comentam em sua análise do filme que a desordem e a desigualdade social ao longo da história foi constituída pelo homem devido a necessidade de se sobrepor em relação aos outros homens.

Segundo eles, Thomas Hobbes, pensador inglês, defendia a criação de um Estado Artificial para defender os indivíduos de suas próprias barbaridades e vicissitudes (“o homem é o lobo do homem”). Não há individualidades, sentimento, emoção, afeto.

Márcio e Mayke comentam também que a cena onde se demonstram as idéias do pensamento anti-dialético é aquela onde o personagem principal é interrogado por sua própria prisioneira, que lhe pergunta o por que dele estar vivo e o propósito de sua existência e ele dá uma resposta totalmente dialética e linear, dizendo que “estava vivo para servir e dar continuidade à sociedade Libriana”.

Os Sacerdotes do Clero, além de agentes de confiança do Pai, com treinamento psicológico e de inteligência, possuem habilidades notáveis de combate para exercer de forma mais eficiente sua missão policial. É muito mais verossímil que o mostrado em Matrix, por exemplo, e, portanto, não mostra-se coerente que um filme seja criticado por um estilo de luta “fantástico” e o outro louvado pelo mesmo motivo.

A seqüência em que Preston precisa passar por um corredor cheio de clérigos pesadamente armados e, antes de iniciar a luta, joga pentes de bala no meio do recinto – mostrando que sabe perfeitamente onde estará em determinado momento da luta – é sensacional e mostra na prática a aplicação da dialética e do cálculo matemático em uma batalha, onde nada ocorre por acaso e conseqüência empírica ou de forma causal, mas sim por conseqüência rígida do planejamento e do cálculo preciso do praticante do Gun Kata.

Basicamente a técnica usa justamente de física, matemática e outras ciências que permitem ao seu praticante calcular adequadamente ângulos, posições e movimentos que lhe dão máxima eficiência em uma combate corpo a corpo ou um tiroteio. Mas nada que comprometa.

Os atores principais estão muito bem no filme, porém os coadjuvantes carecem de um desenvolvimento melhor e mais profundo e até de arcos dramáticos mais completos, ainda que isso não atrapalhe o desenvolvimento da história.

Porém o maior problema é mesmo o desfecho de uma das lutas do clímax, na qual um dos oponentes de Preston tem o rosto “ferido” e a retratação é bastante insatisfatória, talvez devido ao baixo orçamento do longa.

“Em um Estado Perfeito, o estabelecimento da paz, em si mesmo, não daria lugar a uma harmonia organizacional completa e inquebrantável?

O clima na cidade é de constante vigilância para os “violadores de sentimentos”, os mesmos são marginais e criminosos por cometerem o erro de usar a capacidade humana de sentir, e assim, formar sua subjetividade.

O clima na cidade é de constante vigilância para os “violadores de sentimentos”, os mesmos são marginais e criminosos por cometerem o erro de usar a capacidade humana de sentir, e assim, formar sua subjetividade.


Na tentativa de entender o embate dos limites que o estado possui para com seus cidadãos, abrimos a discursão e observamos que esse conflito se estende a um campo mais amplo, o qual é de difícil solução: a disputa entre princípios.
O direito a vida –que deveria ser um direito absoluto- é suspenso com o castigo da pena de morte, em caso de guerra declarada.

A alienação de direitos no contrato social criou um mundo, no qual, é quase impossível imaginá-lo sem um o Estado, a justificativa é de que a natureza do homem não é boa, e que viveríamos em um caos sem um “pai protetor” (Estado).

Poderemos ter todos os nossos direitos retirados a qualquer momento, mas o ser humano sempre será capaz de transcender as arbitrariedades e lutar por um mundo ético.

Kant irá dizer que a razão prática, a necessidade do sujeito representar-se para si, é necessária para uma vida em sociedade. O imperativo categórico deriva de uma vontade boa, é uma ética que age sobre três premissas, são elas:

1) Lei Universal: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal.”

a)Variante: “Age como se a máxima da tua ação fosse para ser transformada, através da tua vontade, em uma lei universal da natureza.”

2) Fim em si mesmo: “Age de tal forma que uses a humanidade, tanto na tua pessoa, como na pessoa de qualquer outro, sempre e ao mesmo tempo como fim e nunca simplesmente como meio”.

3) Legislador Universal(ou da Autonomia): “Age de tal maneira que tua vontade possa encarar a si mesma, ao mesmo tempo, como um legislador universal através de suas máximas.”

a)Variante: “Age como se fosses, através de suas máximas, sempre um membro legislador no reino universal dos fins.”

Essas premissas divergem da opinião de Hobbes, pois afirmam que as leis da natureza são as leis morais e homem deixa de ser lobo quando usa sua razão, a razão ética.

Esta posta questão se o Estado realmente é necessário para controlar as paixões humanas, mas ao mesmo tempo tirando a liberdade do individuo;

finalmente, o filme contém algumas cenas de ação que são inclusive superiores às do primeiro Matrix, embora o orçamento limitado tenha feito com que a quantidade de ação encontrada no filme seja bastante inferior.


Mas Equilibrium é também um filme diferente de Matrix. 

À princípio, parece ser o mesmo velho clichê de sempre (e não deixa de ser): após a temida Terceira Guerra Mundial ter acontecido, nos primeiros anos do século XXI, os sobreviventes resolvem cortar a possibilidade de existência de uma futura guerra (que, segundo eles, aniquilaria de vez com todos), acabando com o principal motivo que leva a elas: os sentimentos.

“O Pai”, como é denominado o grande líder dessa nova sociedade, tem à sua disposição uma droga que deve ser injetada diariamente no organismo de todas as pessoas (por lei), para inibição de qualquer tipo de sentimentos. mas por outro lado faz com que os outros personagens sejam esquecíveis logo após o filme, infelizmente.

Outro ponto negativo de Equilibrium: embora a premissa seja bastante interessante e razoavelmente bem fundamentada, fica difícil acreditar que, mesmo após uma hipotética Terceira Guerra Mundial, a população como um todo se deixaria levar por um sistema que tira dela a permissão de ter qualquer tipo de emoções.
Sem muitos recursos à disposição para encher a tela de efeitos especiais, o diretor Kurt Wimmer inventou, dentro do filme, uma modalidade de luta que utiliza armas de fogo (o estilo de luta tem inclusive um nome, do qual não me lembro agora).

Claro, o próprio Equilibrium possui elementos que parecem “chupados” de Matrix, mas não se esqueça que poderia ser dito que Matrix possui elementos chupados de outros filmes anteriores também (Cidade das Sombras é talvez o mais óbvio deles, em termos de enredo principalmente).

A Libria é governada pelo Conselho de Tetragrammaton , liderado por "Father"

A Libria é governada pelo Conselho de Tetragrammaton , liderado por "Father"

O que é visto apenas em telas gigantes de vídeo espalhadas pela cidade espalhando mensagens de propaganda. 
Um movimento de resistência, conhecido como "Underground", surge com o objetivo de derrubar o Pai e o Conselho Tetragrammaton. Após um ataque, Preston percebe que seu parceiro, Errol Partridge, salva um livro de poemas em vez de entregá-lo para incineração. 

Depois de rastrear Partridge to the Nether e encontrá-lo lendo o livro, Partridge explica que, felizmente, ele paga o preço alto de sentir emoções; Ele começa a experimentar breves episódios de emoção que evocam lembranças, estimulam sentimentos e o tornam mais consciente de seu ambiente; 

Para surpresa de Brandt, Preston o impede de executar O'Brien no local, dizendo que ela deve ser mantida viva para interrogatório; 

Como Preston sente remorso por ter matado Partridge, ele desenvolve uma relação emocional com O'Brien e descobre pistas que levam a conhecer Jurgen: 

o líder da Resistência Subterrânea que planeja interromper a produção de Prozium - para provocar uma revolta popular - e convence Preston aquele pai deve ser assassinado. 

Após a prisão de Brandt, Preston é informado de que uma busca em sua casa ocorrerá como uma formalidade. Ele corre para casa para destruir os frascos escondidos,

Jurgen tem Preston capturar os líderes da resistência para ganhar a confiança do governo e chegar perto o suficiente para o pai para assassiná-lo. 

Como Preston é concedida uma audiência exclusiva com o Pai - apenas uma projeção do Pai -, ele descobre que Brandt não foi realmente preso, mas fazia parte de um ardil para expor Preston e o Underground. 

DuPont revela que ele é o verdadeiro pai - tendo secretamente substituído o pai original após sua morte - e que ele não toma Prozium e pode sentir emoções. 

Preston vence e DuPont implora por sua vida, lembrando Preston que ele representa a vida e sentimento e pergunta: "É realmente vale o preço?"

As teorias para análise psico-filosófica aqui usadas serão a Dialética e AntiDialética, duas linhas de pensamento diferentes que são muito bem retratadas ao longo do filme, espero que aproveitem.

As teorias para análise psico-filosófica aqui usadas serão a Dialética e AntiDialética, duas linhas de pensamento diferentes que são muito bem retratadas ao longo do filme, espero que aproveitem.

O personagem principal John Preston da a ordem de destuição da obra, dando a entender que nenhum meio que nos possibilite perceber o belo continue a existir, dando inicio a uma visão "anti-emocional" da vida, onde é proibido contemplar a beleza da existência humana.
  
Um dia, acidentalmente, Preston não toma a droga. Pela primeira vez ele sente emoções e começa a fazer questionamentos sobre a ordem dominante e o sentido de inibir os sentimentos.

John Preston (Christian Bale) que faz parte da organização Tetragrammaton que luta contra a Resistência ( grupo que luta contra a lei de não sentir e que ainda cultivam as emoções.) demonstra que nem mesmo a amizade tem mais valor emocional, que é apenas uma mera palavra de um sentimento que a maioria das pessoas hoje nem fazem ideia do que significa quando ele mesmo mata seu amigo mais próximo.

Antes de John matá-lo é recitada uma poesia de um livro que seu amigo tem em mãos, que diz:  

"Mas eu sendo pobre, tenho apenas meus sonhos
Lancei meus sonhos sobre seus pés
Caminhei suavemente
Pois você pisou nos meus sonhos."

"O estado proíbe ao indivíduo a prática de atos infratores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los."
                                                                Sigmund Freud